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O Canto dos Peregrinos na Península Ibérica

 

Iniciamos o concerto com um hino em cantochão do séc. VIII “Ut Queant Laxis” que foi utilizado por Guido de Arezzo (c.995) para ajudar os cantores a memorizaram a sequência dos sons: cada um dos incisos começa por uma nota ascendente em grau conjunto (o primeiro inciso começa por dó, o segundo por ré, o terceiro por mi, etc), passando as primeiras sílabas destes incisos a corresponder ao nome dos sons respectivos:

 

Ut [1] queant laxis

Resonare fibris;

Mira gestorum

Famuli tuorum;

Solve polluti

Labii reatum

Sante Ioanes;

 

Ainda hoje este método é utilizado nas escolas de todo o mundo, com a alteração do nome da primeira nota de Ut para Dó, tendo-se acrescentado posteriormente o Si a seguir ao Lá. Na última frase mostraremos a primeira forma de polifonia (organum paralelum) que consiste na duplicação da melodia (vox principalis) a um intervalo constante (vox organalis). A segunda peça mostra a forma como as vozes eram sucessivamente acrescentadas a uma linha inicial, retirada de uma melodia gregoriana. O exemplo escolhido é um “Domino” (Cláusula do Benedicamus Domino) ao qual são acrescentadas duas vozes com um carácter mais secular. Congaudeant Catholici será, provavelmente, a peça mais antiga a três vozes que se conhece na história da música.

 

Llibre Vermell de Montserrat

 

O culto da Virgem Maria experimentou um grande impulso durante o século XII e XIII, desenvolvendo-se um género poético-musical que descrevia os milagres de Nossa Senhora, conforme podemos constatar em alguns exemplos que chegaram até nós, como por exemplo, as “Cantigas de Santa Maria” atribuídas a Afonso X (Avô do nosso rei D. Dinis), ou com temática laudatória à Virgem, como é o caso do “Llibre Vermell de Montserrat”. Este códice medieval (com o adjectivo “Vermell” devido à encadernação posteriormente efectuada com veludo vermelho) destinava-se a servir de orientação aos peregrinos durante as longas vigílias de adoração à Virgem, com textos escritos em latim, catalão e occitano... A maior parte destes peregrinos seria de condição humilde pelo que, além de participarem nos ofícios religiosos em latim (que não deveriam entender muito), tinham necessidade de passar o tempo a cantar e a dançar (mesmo dentro da Igreja), regozijando-se pelo facto de terem atingido o seu objectivo e para esquecerem o enorme esforço dispendido durante a extenuante caminhada. O códice é extremamente pragmático na sua nota que explica a sua génese: […Já que às vezes os peregrinos, quando estão de vigília na Igreja da Virgem Maria de Montserrat, querem cantar e dançar […] e ali só se devem cantar canções honradas e devotas, foram escritas algumas antes e depois [desta nota]. E estas devem-se cantar decente e moderadamente para que não perturbem quem se encontra em oração e devotas meditações…] Em linguagem moderna, o Llibre Vermell de Montserrat seria um “Manual de Instruções do Peregrino”, contendo diversas secções, nomeadamente a descrição das indulgências relacionadas com o Mosteiro, tratados de carácter religioso, orações, diversos textos sacros e um cancioneiro musical que ouviremos integralmente esta noite.

 


[1] Ut: dó antigo (como nas palavras cruzadas);

 

 

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